#Escapes: Minha experiência de volta à Amazônia

Por Cacá Filippini

Drone de alto do mirante/ Foto Diego Duque

É exatamente como na foto acima, um pontinho em meio uma imensidão verde, que me sinto todas as vezes que volto a lembrar das experiências vividas na Amazônia.

Este ano, minha segunda visita ao local, me mostrou uma realidade completamente diferente daquela que conheci em março, durante o inverno, época das cheias. E confesso que fez com que eu repensasse muitas coisas em minha vida como um todo.

Ao chegar em Manaus, meu receptivo me aguardava no aeroporto. No caminho, observei uma paisagem bem diferente daquela vista anteriormente. É como se eu estivesse visitando um novo local. Trechos maiores de terra, praias de água doce e o leito do rio bem abaixo do que eu vi anteriormente. Tudo parecia ser novo pra mim, e de certa forma era!

Praia de água doce que aparece apenas no verão amazonense / Foto Arquivo pessoal

Foram 180km de Manaus até meu destino: um pequeno Hotel de Selva, com apenas 22 acomodações (16 chalés, 6 bangalôs, sendo 2 com vista panorâmica para a floresta).

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Como de costume, opto por instalações sustentáveis, por isso o Anavilhanas Jungle Lodge foi a minha escolha dessa vez. Lá a equipe de funcionários é composta prioritariamente por pessoas da região – dos 75 funcionários, 65 são de comunidades locais.

O estabelecimento, que pertence ao “Roteiros de Charme”, adota diversas práticas eco sustentáveis, tais como tratamento de esgoto próprio, zero descarte de lixo ou esgoto nos rios, orientação a todos funcionários e guias a não intervirem na vida silvestre e sistema de tratamento de água próprio. O sistema de aquecimento de água é feito por painéis solares e armazenado em boilers térmicos, evitando o consumo de gás ou eletricidade. O hotel também apoia institucionalmente e financeiramente ações de prevenção, promoção da saúde e educação ambiental em conjunto com a Fundação Almerinda Malaquias (FAM) e Instituto AMOR, gerando uma forte parceria com a população.

Foto aérea da propriedade de Anavilhanas Jungle Lodge / Foto Arquivo pessoal

Posso dizer que estar somente nas dependências do hotel já é uma experiência! Com todas as áreas abertas, nos deparamos com a vida silvestre a todo tempo e a intensa presença da natureza.

No restaurante são servidos o café da manhã, almoço e jantar em um buffet com ênfase em ingredientes regionais, mas com opções de culinária internacional. Atendendo a todos os gostos, é possível experimentar algo novo todos os dias.

Um detalhe simpático é que na porta de cada quarto há o desenho de um animal e no restaurante é a mesma coisa. Então todo mundo tem o seu lugarzinho definido pelo seu bichinho.

Foto Arquivo Pessoal

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O hotel conta com uma piscina de borda infinita e um deque na margem do rio Negro, onde os hóspedes podem relaxar, tomar um drinque, nadar no rio ou fazer stand-up. Eu, claro, não hesitei e no entardecer nadei no rio sim! Mas tudo sempre com muita segurança, já que a área é apropriada para banhos.

Deck do Anavilhanas Jungle Lodge / Foto Diego Duque

Mas vamos seguir um pouquinho para as atividades que começam cedo por lá, às 5 da manhã. Tá bom para você? Sim, acordávamos cedinho para assistir o nascer do sol em um dos pontos mais bonitos do Rio Negro. Cada dia, um presente. Houveram dias em que o céu estava limpo e o sol surgia com todo seu esplendor, e outros, em que as nuvens formavam um cenário magnifico.

Foto Arquivo Pessoal

Pássaros como arara-canindé, papagaios-de-várzea, gaviões e gaivotas nos acompanhavam dos topos das árvores ou plainando pelas águas escuras e de temperatura média de 28° do rio, também chamado pelos indígenas de rio Quiary, Guriguacurú ou Ueneyá. Tudo no ritmo da natureza, sempre na vontade dos animais em aparecer ou não para nós. Os botos, inclusive, estavam mais tímidos dessa vez e apareceram bem menos.

Foto Arquivo Pessoal

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Bem, muitos me perguntaram qual época seria melhor ou mais bonita para se visitar, e o que posso afirmar é que ambas têm suas belezas e ambas têm suas dificuldades. Durante todo o ano a paisagem amazônica muda consideravelmente, principalmente pela influência dos rios e nível das águas, variando basicamente entre duas estações fixas: extremo verão e extremo inverno. Nesse primeiro, as chuvas costumam dar mais trégua, enquanto na segunda época, as chuvas constantes deixam a umidade do ar com altos índices, possibilitando um clima mais agradável enquanto o nível dos rios sobem gradativamente.

Os dois períodos apresentam paisagens surpreendentes, entretanto de fevereiro a maio os animais se mostram ainda mais ativos, e os pequenos braços de rios e canais são mais acessíveis de canoa.

Saindo do pier do Anavilhanas Jungle Lodge / Foto Arquivo Pessoal

De acordo com Dona Rose, moradora da comunidade de Santo Antonio, em Novo Airão, essa é uma época de dificuldades. A comunidade é um das 19 estabelecidas dentro da Reserva RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro), no Parque de Anavilhanas – 2º maior arquipélago fluvial do mundo –, com cerca de 400 ilhas (sendo o 1º , a reserva de Mariuá, no alto Rio Negro) e conta com energia elétrica apenas 3 horas por dia (das 6 ás 9h).

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Dona Rose me disse que muitas vezes compra três sacos de gelo e perde metade no percurso, que nas cheias é feito por completo em barco, mas nessa época deve ser feito a pé em sua grande parte.

A escola da comunidade recentemente recebeu do Hotel a instalação de energia solar. Dessa forma, passou a ter luz, ventiladores e geladeira para armazenar a merenda das crianças.

O empreendimento hoteleiro montou também uma biblioteca para os alunos e contratou uma pedagoga de São Paulo para o acompanhamento e a melhoria do programa escolar, que pude constatar funcionar muito bem. Aliás, que foi um momento muito especial pra mim.

Cacá com crianças na sala de leitura da Escola da Comunidade de Santo Antonio / Foto Arquivo Pessoal

Ao chegar lá, vi crianças brincando como eu brincava. Correndo atrás da bola, estudando em busca de um futuro e sorrindo. E não contive a emoção.

Me senti muito privilegiada por estar ali com pessoas que vivem de forma tão diferente da nossa.

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Emoção também senti ao entrar mais uma vez no chamado “pulmão do mundo”. Na presença de um guia, conheci a floresta, não mais alagada e recarreguei as minhas energias. E claro, que como de costume, parei por 10 minutos, respirei e meditei um pouco ali!

Foto Arquivo Pessoal

E nesse clima fecho mais uma escapadinha para lá de especial. Desejo à vocês a oportunidade de fazerem uma visita a essa região. Até lá, espiem o vídeo abaixo. Experimentem novos #escapes, façam menos do mesmo e até a próxima!

Imagens drone: Diego Duque
Edição final: Claudio Paulino