#ESCAPES: Uma escapada com mergulho ao fundo do mar

Por Cacá Filippini

#ESCAPES: Uma escapada ao fundo do mar
Cacá recebe, debaixo dá água, sua carteirinha de mergulhadora internacional / Foto Barracudas Imagens

Na minha última matéria, contei pra vocês como foi o meu encontro com Fernando de Noronha. Contudo, o que ainda não contei é que foi lá que tomei a decisão de incluir o mergulho na minha vida. E como isso aconteceu?

Assim que cheguei, meu primeiro contato com o mar foi com um par de nadadeiras e um kit de snorkel e óculos, para explorar a vida marinha da Praia do Sancho. Nem preciso dizer pra vocês que perdi a noção total do tempo e quase da direção. Com o olhar fixo para o que havia na água, fui indo, indo, indo e cada vez mais me apaixonando por toda aquela vida. Me senti em um grande aquário e lá encontrei paz.

Decidi no dia seguinte fazer algo novo: mergulhar mais fundo e com cilindro. Então, contatei a equipe das Águas Claras e agendei minha “escapada para o fundo do mar”. Chamado de batismo, o mergulho é feito em companhia de um instrutor e em pares. Uma oportunidade maravilhosa de chegar a, no máximo, 12 metros de profundidade, em águas abrigadas com pouca incidência de ondas, por um período de 30 a 40 minutos.

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Saímos cedinho do Porto de Noronha rumo a algo que me transformaria. No barco, recebemos instruções de como tudo funciona com o objetivo de manter o conforto e a segurança durante a experiência. Nesse ponto, embora eu estivesse atenta a tudo, comecei a sentir aquele friozinho na barriga. E minutos depois, já estava na água, devidamente equipada e de mão dadas ao meu instrutor, Rene Guex, de 33 anos, que deixou o comércio exterior e se dedica ao mergulho há 3 anos e meio, e afirma não se arrepender de sua escolha.

Registro do Batismo / Foto Barracudas Imagens

Lá embaixo o tempo parece voar. Aos poucos me adapto com a respiração, que ocorre com a ajuda de um equipamento colocado na boca e o cilindro com ar. Como é meu instrutor que me guia, só me resta curtir o momento.

Me deparo com diversas formas marinhas, e me encanto fortemente com uma tartaruga gigante que cruza o meu caminho, nadando tranquilamente. Fico tão emocionada com tudo aquilo que acelero até a minha respiração. Em poucos instantes, Rene me olha e faz o sinal para subirmos. E a brincadeira acaba … mas o encanto, não!

Chego de volta ao barco e observo uma criança de 10 anos. Dudu, assim chamado por sua família, viveu sua primeira experiencia no mar. Explicitamente eufórico, pergunto a ele como foi, e nesse momento ele me conta que está fascinado com tudo que viu ali, que estava ansioso e que não teve medo de mergulhar.

Em conversa com sua mãe, soube que a decisão foi dela, que inicialmente mergulharia apenas com Isabela, sua filha de 17 anos. Os três paulistas estavam tão encantados que mal conseguiam proferir palavras para descrever seus sentimentos, a não ser emoção, fascínio e a vontade de fazer de novo. E esse foi o ponto, a vontade de fazer de novo!

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De volta à Ilha, fui almoçar e não tirava meus olhos do mar. Estava com um amigo que disse que nunca tinha me visto tão feliz. E de fato, eu estava “embriagada” de felicidade. Me encontrei no fundo mar. Me encontrei em meio àquela imensidão toda. E ainda no calor da emoção, decidi que mergulharia no dia seguinte de novo, mas que queria mais do que um mergulho, queria a possibilidade de mergulhar em qualquer momento da minha vida e em qualquer lugar.

Em contato com a equipe da Águas Claras de Noronha, conheci as opções de cursos disponíveis e analisei as possibilidades. Optei mais uma vez por eles, pois são os únicos a fazer o credenciamento internacional e entregar a carteirinha física, no momento da aprovação do teste teórico final. E dessa forma, terminei meu dia, inscrita em um curso de mergulho: SDI Open Water Scuba Diving, que possibilita mergulhos sem acompanhamento de instrutor até 18 metros de profundidade em qualquer lugar do mundo.

Comecei meu curso, no mesmo dia. Anoiteceu e começava minha aula teórica com Nathalia Lucci, mergulhadora profissional, instrutora da Águas Claras e minha companheira para os próximos dias. Posso dizer que a aula teórica não é tão fácil e é de suma importância para o entendimento do que acontece antes, durante e após cada mergulho, tanto com nosso corpo, como com o equipamento que usamos.

Cacá e a instrutora Nathalia Lucci no tanque de mergulho / Foto Arquivo Pessoal

Dia seguinte, tanque de água. Local onde colocamos em prática tudo que precisamos saber com segurança e ao nosso tempo. Lá aprendi a manusear meu equipamento, montar item a item, fora e dentro d´água. No tanque também entendi o que é a tal flutuabilidade, tão importante para nos manter embaixo d´água e com controle de nosso corpo, que muda de peso e densidade. Esse momento destina-se a tudo e qualquer execução pertinente à atividade, inclusive situações de emergência como falta de oxigênio, água dentro da máscara, água no respirador e outras mais.

Fase tanque superada, é chegada a hora de praticar tudo aquilo no mar. Um leve nervosismo aparece, mas Nathi, como eu a chamo, tem todo o jeito e me tranquiliza. Inclusive ela era a instrutora que acompanhou o Dudu, citado acima.

Pegamos um barco convencional com o grupo de turistas que também fariam o batismo. Contudo, posso dizer que pegamos apenas uma carona, pois nesse dia, o procedimento que eu vivenciei foi completamente diferente. Quase que como uma criança que deixa os cuidados da babá, me tornei totalmente responsável pelo meu equipamento. Tenho que montar tudo, checar cilindro de ar, todos os tubos, o funcionamento do equipamento, o cinto de lastro (peso que usamos para afundar), meu colete e tudo mais que está ligado ao mergulho. É tudo por mim!

Claro que a Nathi está de olho e faz a “dupla checagem”, onde eu checo e ela também. Aliás é algo bacana do mergulho, já que o recomendado é estar sempre com alguém ou parte de um grupo. Fazer amizade nessa atividade é algo super fácil.

Foto Barracudas Imagens

Água a dentro, descubro que o tanque é bem diferente do mar, e pasmem, no mar tudo se torna mais fácil! Sem mãozinhas dadas a ninguém, controlar o corpo não é tão fácil. Encontrar o equilíbrio na água, sem afundar ou flutuar demais, é meu grande desafio. E assim, entre observar a vida marinha e “infla colete, sobe, tira o ar e desce, não esquece de respirar, não prende o ar, não encosta em nada, olha a tartaruga, olha a arraia”, seguimos no primeiro, no segundo e nos mergulhos que seguiram.

Até que o grande dia chega, onde sou submetida a minha prova prática e no mar!

E como disse a Nathi: “Uma peixinha” totalmente apta a mergulhar estava se formando ali. Tranquila e muito focada, fiz tudo que me foi solicitado e passei no teste, ainda com direito de comemorar lá embaixo, em meio aos peixes e animais marinhos de todos os tipos.

Cacá e sua instrutora, Nathalia Lucci após sua certificação internacional como mergulhadora / Foto Arquivo pessoal

Prova teórica também realizada e aprovada, lá fui eu, rumo ao barco dos certificados e meu primeiro mergulho 100% MEU, que mostro no vídeo ao final dessa matéria.

Talvez o mergulho não seja a sua válvula de escape, mas o que quero passar para você é que não deixe de buscar algo que te faça bem. Dê uma pausa na vida corrida, são algumas horinhas fazendo o que te emociona que dão o gás que você precisa para enfrentar todo o resto.

Aqui, aproveito para registrar o meu agradecimento a toda a equipe da Águas Claras de Noronha, ao Rene por me permitir me apaixonar pela experiência, à Nathi por toda paciência e sabedoria com que me passou o conhecimento durante nossa jornada, a toda equipe da Barracudas Imagens ( Marta Granville, Nati Lemos e Rick Vinicius), a Lili, da HydroSphera Produções por registrar todos os momentos em foto e vídeo que compartilho nesse #ESCAPES, e ao querido amigo Paulinho Fatuch, que me convenceu a viver essa experiência tão maravilhosa.

Antes de terminar, deixo como dica para os mergulhadores a ferramenta mundial de agendamentos de mergulhos: Go-Dive App, que facilita o planejamento dos seus ESCAPES oceânicos.

E mais uma vez, termino desejando que façam menos do mesmo e vivam melhor!

Vídeo: HydroSphera Produções