Influência do tratamento de câncer de mama na drenagem linfática

Por Thais Bello

Influência do tratamento do câncer de mama na drenagem linfática
Foto Shutterstock

O Outubro Rosa chegou ao fim. Ao longo do mês, tivemos uma série sobre os efeitos do tratamento do câncer de mama. Vamos finalizar esse especial falando sobre o possível efeito dele na drenagem linfática.

Algumas vezes, a remoção de alguns ou de todos os gânglios linfáticos das axilas pode fazer parte do tratamento da doença. Quando essa cirurgia é necessária, pode existir uma diminuição na drenagem linfática dos braços, que na maior parte das vezes não é perceptível, mas que pode causar o que chamamos de linfedema – assunto que pouca gente conhece, mas que incomoda bastante quem convive com o problema.

Bernardo Nogueira Batista, cirurgião plástico e coordenador do grupo de Linfedema do Hospital Sírio-Libanês (SP), explica a seguir o que acontece e o que dá pra fazer pra melhorar essa condição.

Influência do tratamento do câncer de mama na drenagem linfática do corpo

Thais Bello: O que é linfedema? Com que frequência ele acontece no tratamento do câncer de mama?

BN: O linfedema é uma doença do sistema linfático que leva a um acúmulo de linfa, um líquido natural do nosso corpo. O resultado é um inchaço localizado. Uma das causas mais frequentes de linfedema é o tratamento do câncer. No caso das mulheres tratadas para câncer de mama, 1 em cada 5 mulheres que fizerem a cirurgia para remover todos os gânglios linfáticos da axila irão desenvolver algum grau de linfedema. Mesmo as que fazem só a biópsia de um único gânglio, o chamado ‘linfonodo sentinela’, ainda tem cerca de 5% de risco.

TB: É possível prevenir ou prever quem tem mais chance de desenvolver linfedema?

BN: Não é possível prever ou prevenir completamente o linfedema. Contudo, sabe-se que pacientes obesas e que fazem radioterapia tem um risco maior. Iniciar uma reabilitação precoce com um profissional habilitado é uma ajuda importante.

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TB: Caso ele ocorra, o que é possível fazer para minimizar o aspecto e o desconforto?

BN: O mais importante é fazer um diagnóstico precoce. Com isso, é possível começar a reabilitação o mais cedo possível com um profissional. Quanto menos avançado, melhor é a resposta aos tratamentos. O uso de malha compressiva também ajuda bastante e é o mais importante. Hoje existem vários modelos e tamanhos, o que facilita encontrar uma adequada a cada paciente. Além delas, existem varias terapias que podem ajudar pacientes com linfedema a terem sintomas mais leves e uma melhor qualidade de vida. Nas últimas décadas, avanços na área de microcirurgia permitiram o desenvolvimento de novos procedimentos com esta finalidade. As anastomoses linfovenosas e as transferências de linfonodo são opções para mulheres com linfedema.

TB: Quais os cuidados que as pacientes com linfedema devem ter com a pele?

BN: A pele do paciente com linfedema deve ser bem hidratada e ter um cuidado especial, uma vez que mesmo machucados muito pequenos podem servir de porta de entrada para infecções.

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* Bernardo Nogueira Batista é cirurgião plástico pela Universidade de São Paulo e coordenador do grupo de Linfedema do Hospital Sírio-Libanês, em SP.

Esperamos que você tenha gostado da nossa série sobre câncer de mama. Procuramos trazer bastante informação para as mulheres que estão nessa batalha. E agora, sobre o que você quer ler aqui nesse espaço? Escreva pra mim no Instagram @drathaisbello.

Beijo Grande