Outubro Rosa: A cicatriz da retirada do câncer de mama

Por Thais Bello

Outubro Rosa: A cicatriz da retirada do câncer de mama
Foto Shutterstock

A nossa série Outubro Rosa especial para mulheres em tratamento para o câncer de mama falou sobre vários efeitos do tratamento sobre a pele, cabelos e unhas, como minimizar e o que fazer.

Nessa reta final, falaremos sobre a cirurgia e as cicatrizes. Do ponto de vista da pele, é possível ajudar o seu corpo a produzir a melhor cicatriz possível.

Sobre esse assunto, conversei com a mastologista Dra Claudia Aldrighi e o cirurgião plástico Alexandre Munhoz. Juntos, eles responderam as dúvidas abaixo.

A cicatriz da retirada do câncer de mama

Existem vários tipos de cirurgias possíveis para o tratamento do câncer de mama. Quais são elas, como são as cicatrizes e o que influencia na decisão do mastologista por uma ou outra?

A cirurgia do câncer de mama depende da extensão da doença em relação do volume da mama, ou seja, do tamanho do tumor e da mama.

De maneira geral, tumores pequenos (até 3cm) e mamas médias ou grandes podem ser tratadas com cirurgia conservadora, sem a necessidade de retirada completa. As cicatrizes nesta situação dependem da localização do tumor e da proximidade com a pele.

Em tumores com localização mais profunda, ou seja, longe da pele, cicatrizes na aréola ou na parte embaixo da mama podem ser a melhor opção, pois ficam esteticamente mais bem posicionadas.

Vale ressaltar que depende também da técnica de reconstrução da mama que será utilizada. Muitas vezes, é empregada a técnica de mamoplastia e, nesta situação, o cirurgião plástico define a melhor opção.

Em tumores maiores (acima de 3cm) ou em mamas de menor volume pode haver a necessidade de retirada completa (mastectomia). As melhores cicatrizes são as como localização na região central da mama na situação de necessidade de retirada da aréola ou na região embaixo do sulco da mama na situação de preservação da aréola.

Em ambas as situações, é fundamental a qualidade do fechamento das cicatrizes e a utilização de pontos adequados e com técnica delicada.

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Habitualmente há a participação do cirurgião plástico, que com técnicas de sutura apropriada para a região da pele da mama promove o fechamento do corte por planos e com pontos absorvíveis. No pós-operatório há a associação com curativos que reduzem a tensão na cicatriz e curativos compressivos para favorecer o resultado estético.

Quais são os fatores que podem influenciar na cicatrização?

A perfeita cicatrização é resultado de uma série de eventos celulares e moleculares. É um processo dinâmico que envolve fenômenos bioquímicos e fisiológicos onde há fatores locais, ou seja, ligados ao corte e que podem interferir no processo cicatricial. São eles o tamanho e profundidade, o grau de contaminação, a presença de secreções, substâncias estranhas e infecção local. Além desses, existem os fatores sistêmico, como idade, estado nutricional, doenças crônicas, uso de cigarro e medicamentos.

Quais as recomendações pra ajudar no bom resultado estético da cirurgia?

É essencial um bom planejamento antes e depois da cirurgia para ajudar no bom resultado estético. No pré-operatório podemos destacar a boa alimentação com verduras e frutas e alimentos ricos em proteínas. Também deve-se ter a prática regular de exercícios físicos.

Pacientes obesas apresentam cicatrização mais lenta que pacientes magras. Desta forma, uma boa alimentação e exercícios são pontos importantes nessa etapa.

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Além disso, é fundamental a discussão prévia com o cirurgião sobre medicações que podem influenciar no pós-operatório e cicatrização, como corticóides, imunossupressores e anticoagulantes. Seu médico pode avaliar a possibilidade de suspensão temporária ou substituição por opções com menor efeito sobre a cicatrização.

Pacientes usuárias de cigarro devem ter a cirurgia avaliada com mais cautela. A orientação é de suspender o tabagismo por, no mínimo, 6 semanas antes da cirurgia.

*Dra. Claudia Aldrighi é mastologista especialista pela Universidade de São Paulo.
Dr. Alexandre Munhoz é professor da Universidade de São Paulo, chefe do departamento de Reconstrução Mamária do Instituto de Câncer de SP e do Hospital Sírio-Libanês.

No próximo e último texto da série, vamos falar sobre como lidar com o linfedema. Trata-se de uma sequela da cirurgia que pode afetar a drenagem linfática da pele e ser bastante incômoda. Não deixe de ler!

Ficou com alguma dúvida? Quer continuar a conversa? Pode me escrever no Instagram @drathaisbello.

Beijo Grande!