Parar de menstruar: afinal, esta é ou não uma boa ideia?

Por Lauren Clark com adaptação de Giulia Granchi

Foto Shutterstock

O número de mulheres que estão decidindo quando vão – e se querem – passar por aqueles dias está crescendo. Por isso, a WH investigou quais as vantagens e desvantagens de parar de menstruar.

Segundo um estudo feito pela empresa Bayer, distribuidora de produtos farmacêuticos, em oito capitais brasileiras, 89% das mulheres afirmam que se sentiriam confortáveis em poder decidir quando menstruar. Ainda assim, a maioria não conhece alguém que controle o próprio ciclo menstrual.

A pesquisa também apontou que apenas 39% das mulheres gostariam de menstruar mensalmente. O desejo das outras entrevistadas variou entre ter o período com um espaço maior de tempo. Já 32% afirmaram não quererem menstruar nunca.

Conforme explica Carlos Alberto Petta, especialista em reprodução humana e saúde da mulher, de Campinas (SP), o comportamento das pacientes vem mudando. “Agora elas podem contar com métodos anticoncepcionais tão eficazes quanto uma laqueadura. Contudo, estes são reversíveis e podem ser usados no longo prazo”, explica. “E, caso mudem de ideia, é só parar de tomá-los. Assim, é possível engravidar novamente, mesmo depois de anos de uso.”

Menstruar é algo natural?

Enquanto poucas mulheres gostam de menstruar, há uma crença de que aturar isso é algo natural. Além de ser um sinal de que você não está grávida, é um indicador de saúde, certo?

De fato, se você não toma anticoncepcionais e não é gestante, a falta da menstruação pode ser um problema. “Desnutrição, excesso de atividade física ou hipotireoidismo podem ser os culpados”, indica Adriana Carneiro Burlacchini, ginecologista e mastologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HCFM/USP).

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Mas, na verdade, se você está com uma boa saúde e de fato tomando suas pílulas como indicado, o sangramento na pausa do anticoncepcional não é exatamente natural, mas uma resposta corporal forçada.

“Ela é provocada pela privação hormonal que ocorre na pausa do uso desses contraceptivos, independentemente do funcionamento dos ovários (que está bloqueado pelos hormônios)”, informa Ana Lucia Beltrame, ginecologista e obstetra da Clínica Ella Saúde, em São Paulo. Por isso, se você está tomando pílulas anticoncepcionais com intervalos mensais, isso já não é exatamente “natural”.

A parcela de mulheres que ainda prefere menstruar todo mês aponta a certeza de que não estão grávidas como principal motivo para escolher continuar sangrando mensalmente, de acordo com diversas pesquisas. No entanto especialistas ressaltam que essa é uma crença simplesmente cultural. “A confiança não precisa estar no sangramento, basta tomar o seu anticoncepcional corretamente”, afirma Luciano Pompei, ginecologista secretário geral da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp).

De fato, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a pílula, quando ingerida todos os dias no mesmo horário, possui apenas 0,3% de chance de possibilitar uma gravidez indesejada (no entanto o uso desregulado pode aumentar o risco para 8%. A mesma porcentagem é válida para o uso de adesivos, ao esquecer de trocar ou colocar na hora errada, e anéis vaginas, se forem mal inseridos. Já as injeções apresentam risco de até 3% caso não sejam armazenadas bem ou aplicadas na data certa).

A decisão é toda sua

Antes de escolher ter ou não um período menstrual, é importante considerar qual é realmente sua motivação. Não é nenhum segredo que a menstruação é um tabu na sociedade. Contudo, indicações médicas e o seu próprio bem-estar são, sim, razões importantes para considerar a supressão do fluxo.

“Creio que vamos seguir a tendência dos países desenvolvidos. A mulher está se inserindo cada vez mais no mercado de trabalho, optando por ter menos filhos e, para grande parcela delas, reprimir a menstruação é algo benéfico para alcançar isso”, expõe Ana Lucia Beltrame, ginecologista e obstetra da Clínica Ella Saúde, em São Paulo.

Nos Estados Unidos, de onde vem grande parte da nossa cultura quanto a forma como tomamos medicamentos, a pílula anticoncepcional mais vendida já é a do ciclo de 24 dias (com apenas quatro dias de pausa, diferente da nossa, de 21 dias e sete de pausa). E uma pílula específica para o uso contínuo já foi aprovada em 2007.

Mas é claro que tudo depende de você e da sua escolha. A única coisa que deve ficar clara é que sim, você tem essa escolha!

Sem fluxo

Confira como usar seu contraceptivo para não ter “aqueles dias”, de acordo com Luciano Pompei. “Lembrando que é importante que as técnicas sejam sempre acompanhadas por um médico”.

Com pílula: Em vez de fazer a pausa dos dias indicados, comece uma nova cartela assim que a outra acabar.

Com adesivo ou anel: Assim como a pílula, é necessário ignorar a pausa e ir direto para um novo adesivo ou anel.

Com injeções: O método mensal não permite esse tipo de controle direto, como outros medicamentos. Já a opção trimestral tem a ausência da menstruação (amenorreia) como um dos seus principais efeitos colaterais.

Com DIU: Não é possível controlar, mas muitas mulheres relatam que pararam de menstruar depois de inserir o dispositivo intrauterino. E as outras afirmam que o ciclo foi diminuindo.