Afinal, quantas vezes o paladar pode mudar ao longo da vida?

Por Elizabeth Bacharach – Women’s Health EUA

Mudança de paladar
Foto Shutterstock

Houve um dia em que você brigou com sua mãe na hora de comer vegetais. Brócolis? Não, obrigado. Tomates? Passagem difícil. Mas vamos falar sobre hoje em dia, que uma salada enorme se tornou uma opção totalmente viável para seu almoço. Sim, talvez você tenha passado por uma mudança de paladar. Mas isso realmente acontece?

Primeira coisa: o que exatamente são papilas gustativas?

Curiosidade: você não pode realmente ver o seu paladar. Essas pequenas protuberâncias na sua língua são chamadas de papilas. Embora elas contenham papilas gustativas, elas também ajudam a mastigar, falar e limpar sua boca.

Botões gustativos estão em toda sua boca – não apenas na língua – e há muitos deles. “Cada paladar é uma coleção de cerca de 50 a 100 células que têm a tarefa de testar a comida antes de você engoli-la”, explica Robin Dando, médico diretor do Cornell Sensory Evaluation Center (EUA).

Uma vez que o alimento se dissolve em sua saliva, ele ativa os receptores nas pontas das células, o que pode distinguir entre doce, salgado, azedo e amargo. Os receptores, então, enviam um sinal para o cérebro para transmitir o sabor exato que você está experimentando.

Então, pode acontecer uma mudança de paladar? Se sim, com que frequência?

Os gomos morrem e se regeneram a cada duas semanas (às vezes com mais freqüência, dada a sua posição vulnerável na boca). Essencialmente, toda vez que você queima ou mastiga sua língua, você mata mais papilas gustativas. Felizmente, elas crescem de volta o mais rápido possível. É por isso que você só passa alguns dias sem o doce sabor do café depois de queimar a língua.

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A idade também influencia em quantas vezes (e quão rápido) o seu paladar pode mudar. “À medida que você envelhece, seu corpo fica mais lento na regeneração de células, incluindo o sabor e o cheiro das células receptoras, levando à potencial perda de papilas gustativas com o passar dos anos”, diz Helene Hopfer, médica e professora assistente de ciência alimentar na Pennsylvania State University (EUA).

Quando isso acontece exatamente? Nada é definitivo, mas algumas pesquisas dizem que uma mudança ou perda de paladar pode começar a acontecer em torno dos 60 anos de idade.

“As papilas gustativas também podem morrer devido a circunstâncias externas, como tomar certos medicamentos ou passar por quimioterapia ou radiação”, diz Dando. Contudo, elas provavelmente devem voltar quando o tratamento estiver pronto.

Mas o que dizer de gostar (ou não gostar) de novos alimentos?

Isso tem a ver com mais do que apenas o seu paladar (que está lá para provar, sim, mas não para ditar se você gosta ou não de algo). Apenas para seu conhecimento: o sentido do olfato também influencia o sabor, ajudando a determinar “uma construção multissensorial que o nosso cérebro” compõe “de múltiplas sensações, nomeadamente gosto, cheiro, som”, como explica Hopfer.

“Enquanto todo mundo tem uma sensibilidade semelhante aos vários gostos básicos, você desenvolve preferências pessoais ao longo de muitos anos, dependendo de outros fatores como hábitos, educação, cultura, memórias e contexto”, diz Dando. Você pode ter crescido odiando salmão, por exemplo, porque teve um problema do estômago depois de comê-lo uma vez, então agora sempre o associa com náuseas.

Mas isso não significa que você também vá odiar certos alimentos para sempre. Você pode realmente treinar seu cérebro para gostar de certos sabores, comendo-os com mais frequência.

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E assim como você pode se adaptar a gostar de algo novo (ou re-gostar de algo antigo), também pode alterá-los para começar a não gostar de algo. O açúcar, por exemplo: “Eu recentemente tentei cortar refrigerante da minha dieta e depois de um curto período de tempo não conseguia sequer dar um gole”, diz Dando.

“Honestamente, ainda é muito desconhecido por que você pode ter odiado algo como tomates até, digamos, um ou dois anos atrás. Pode ser tão simples quanto experimentar um certo tipo de comida de uma maneira nova (como brócolis assado em vez de cozido no vapor)”, diz Hopfer. Ou seu cérebro também pode mudar de idéia – acredite! Segundo a profissional, sua mente e percepções (gosto, cheiro) estão constantemente passando por mudanças em toda a sua vida.