Especialistas dão dicas de como alinhar os desejos sexuais do casal

Estresse, problemas hormonais e problemas para chegar ao orgasmo podem ser mais fácil de contornar do que você imagina

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Falta de compatibilidade quando se fala em libido não se limita aos lençóis. Segundo pesquisa, essa é a razão para o término de 35% dos relacionamentos e um dos principais motivos para que casais procurem terapia. Descubra o que pode estar causando esse desencontro ­– e maneiras simples de reacender a chama

Por Jamie Hergenrader e Thieny Molthini

Você quer sexo com mais frequência

Homens subestimam muito o desejo sexual de suas parceiras, é o que diz um recente estudo do Journal of Personality and Social Psychology (EUA), que também revela que, se eles pensam que a parceira não está disposta, eles não tomam iniciativa. Adivinhe só: mulheres querem sexo! Acontece que muitas vezes nós não nos sentimos muito confortáveis para expressar nossa sexualidade e, com isso, os homens não entendem nossos sinais.

Sincronize: Você tem que dizer diretamente ao seu parceiro que você quer sexo. Não se sente tão confortável para tocar no assunto? Insinue. Tente uma lingerie nova, por exemplo, algo que faça ele te ver como um ser sexual. “A mulher solteira, que quer conquistar um parceiro, tende a mostrar uma sexualidade mais liberta. Mas, depois que se casa, isso muitas vezes muda. Ela passa a ter outras preocupações, se vê apenas no papel de mãe, por exemplo, e acaba se comportando de maneira reprimida. Isso acontece porque a repressão sexual da mulher na sociedade ainda é muito forte”, comenta o médico e sexólogo João Borzino, de São Paulo. É essencial se conhecer, entender e deixar claro seus desejos. Se você faz várias investidas e ele não corresponde, abra o jogo revelando como essa ligação entre os lençóis é importante para você. Em um diálogo no qual ele não se sinta pressionado, as chances de ele se abrir sobre o problema são maiores.

Ele quer sexo com mais frequência

Os homens são criados em uma cultura que os estimula a ver e praticar o sexo de maneira natural, sem sentir culpa. “A mulher não foi educada para desejar sexo. Já o homem pode pensar e falar sobre isso o dia inteiro e ainda ser bem visto, enquanto nós pensamos na casa, nos filhos, nas organizações da vida profissional e sentimos que realmente não sobra tempo. O botão do sexo parece que fica em off”, comenta Sônia Eustáquia, de Belo Horizonte (MG), psicóloga e psicanalista especializada em Sexualidade Humana, Diagnóstico, Tratamento e Educação Sexual.

Sincronize: Não se force a situações em que não se sente confortável mas também não precisa desestimular os avanços dele (“que saco, você está com tesão o tempo todo…”). Converse com o parceiro e combine uma frequência com a qual os dois se sentem bem – isso evita que as tentativas dele acumulem frustração para ele e pressão para você. Se a falta de libido a incomoda, conte sobre como você se sente sobrecarregada e procure dividir melhor as preocupações e tarefas para que você tenha tempo de reativar seu desejo – lendo um livro erótico ou assistindo alguns filmes para incentivar esse pensamento, sem se sentir envergonhada com isso.

Você tem dificuldades para chegar ao orgasmo

O problema pode ser físico (muitas mulheres não conseguem gozar apenas com penetração, por exemplo) ou emocional. Nesse segundo caso é que complica: você precisa estar focada no momento (e não pensando em todos os seus afazeres) para se abrir a essa experiência, mas não tão concentrada a ponto de ver o ato como simplesmente uma procura por orgasmo. A ideia é descobrir o que a agrada, relaxar e entender que é um momento natural entre vocês dois. “Cada um sente o prazer da sua forma e é importante que sintam prazer juntos”, diz João.

Sincronize: Para garantir o prazer é preciso se conhecer, ter intimidade com o próprio corpo. A psicóloga e terapeuta de casais Marina Vasconcellos, de São Paulo, pontua um exercício para isso: “Se olhe no espelho ao sair do banho. Passe creme devagar ao longo de todos os cantos da pele para saber que pontos a excitam”. E, acima de tudo, liberte-se. “É essencial desbloquear a própria mente, se permitir ter e expressar o seu desejo”, ressalta. Então fique à vontade para conversar com o seu parceiro, ensinar o que a agrada e pedir por isso. Ainda pensando naquele prazo no trabalho? Fuja da sua realidade. Segundo Sônia, muitas mulheres não chegam ao clímax durante a relação porque não conseguem fantasiar e levar situações ao cérebro, para que ele responda na forma de relaxamento, possibilitando, assim, o orgasmo.

Ele tem dificuldade em chegar ao orgasmo

Contrariando a crença popular, nem todos os homens conseguem gozar facilmente. Ele também pode ter dificuldade em atingir o orgasmo e isso está relacionado não somente aos hormônios, como também a como ele se sente em relação a si mesmo e ao relacionamento.

Sincronize: “Reserve um tempo para que o casal possa conversar sobre isso”, aconselha Marina. É preciso identificar se há algum problema e tentar solucioná-lo. Às vezes, a causa é tão simples quanto a monotonia no relacionamento, coisa que vocês podem resolver com umas escapadas no carro ou tentando descobrir novas maneiras de excitar o outro – assistindo a um pornô juntos e comentando sobre as posições, por exemplo. Se nada resolver, talvez seja importante ele procurar um médico, para tratar tanto de questões psicológicas em relação a ele mesmo quanto de possíveis disfunções hormonais.

Você toma medicamentos e sente queda na libido

Algumas drogas interferem diretamente nos níveis hormonais da mulher. É o caso, por exemplo, de pílulas anticoncepcionais, que tendem a causar uma queda da libido feminina. Há ainda mudanças naturais que acontecem no nosso corpo, como a chegada da menopausa ou uma gravidez.

Sincronize: Se você percebe uma diferença clara entre o período A.P. e D.P. (antes e depois da pílula) converse com sua médica sobre métodos alternativos não hormonais para impedir a gravidez não desejada. Se for o caso de um medicamento necessário ou de mudanças naturais no corpo, procure outras maneiras de aumentar o desejo criando intimidade afetiva. A dica de Sônia é investir nas preliminares – e não as que você está pensando. “O sexo começa muito antes, em um bilhete de bom dia ou um gesto de carinho logo pela manhã”, comenta.

Ele toma medicamentos

As mudanças hormonais não são exclusividade da ala feminina. Com o tempo, eles também começam a produzir menos hormônios sexuais, e o uso de medicamentos, como antidepressivos, ainda podem interferir na libido dele.

Sincronize: É importante ter paciência. Valorize os momentos a dois. “Se o casal tem mais ou menos a mesma idade, vocês vão sentir essas mudanças juntos. Há a diminuição do desejo, mas vocês podem aproveitar o relacionamento de outras formas: viajando juntos, fazendo uma aula de dança, procurando outros tipos de prazer. A palavra libido não é só energia do sexo, é energia de vida e essa energia pode ser retomada a qualquer momento”, comenta Sônia. Se a mudança hormonal foi causada por medicamentos, incentive-o a conversar com o médico, que pode alterar a dosagem ou adicionar estimuladores (como Viagra) na prescrição para balancear.

 

Você acabou de ser promovida

Agora você tem mais responsabilidades e menos tempo. Esse tipo de notícia merece uma celebração, mas, também, uma revisada nas suas prioridades. Com tantas coisas para cuidar, é comum colocar o sexo no fim da lista. “A relação sexual é importante”, ressalta Sônia, “e um orgasmo é um relaxante de primeira”, completa.

Sincronize: O importante é criar um ambiente de relaxamento antes mesmo de pensar sobre sexo. Faça da sua casa seu abrigo – ali você não vai pensar no relatório da semana que vem. Se vocês têm filhos, deixe as crianças com os avós alguns dias ou coloque-as na cama mais cedo, para que vocês tenham um momento a sós. E inclua os momentos a dois na sua agenda, separando um dia da semana para vocês. “A ideia é possibilitar encontros sem programação, mas que foquem no afetivo, amoroso e sexual. Caso contrário, o casal ficará no campo da amizade”, explica Sônia.

Ele acaba de perder o emprego

Toda situação de estresse pode interferir na vida do casal. Quando há problemas financeiros, por exemplo, o casal passa a brigar mais e isso desgasta a relação, há menos energia emocional. Existe ainda o fator da baixa autoestima.

Sincronize: Assim como o estresse de ser promovida, o de perder o emprego também afeta o desejo sexual. Procurem relaxar juntos, com atividades como ioga, corrida ou mesmo um bar a dois no fim de semana – isso vai colaborar tanto para você se desligar do trabalho quanto para ele se sentir ocupado. No quarto, chegue de maneira sutil, mostrando que está aberta ao sexo quando ele se sentir bem, mas sem pressioná-lo. Transar libera um hormônio chamado ocitocina, que, além de reforçar o vínculo do casal, também relaxa, segundo João.

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