Mitos e verdade sobre sexo que você precisa saber

Só as mulheres podem ter orgasmos múltiplos… Será? Entre beijos e lençóis, circulam os boatos mais selvagens. Nós esclarecemos alguns deles para que você nunca mais precise mentir nas conversas de travesseiro

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Por Christiane Kolb e Tarsila Isabela

  1. O Ponto G não existe mais

Sim e não. Estudos clínicos não conseguiram encontrar nenhum órgão específico responsável por um prazer intenso. No entanto, um estudo francês mostrou que as mulheres que conseguem alcançar o orgasmo vaginal têm mais tecido entre a uretra e a vagina. Portanto, não é exatamente um ponto, e sim uma zona, que apenas algumas mulheres parecem ter. Ainda não achou a sua? Peça ajuda ao seu parceiro – basta que ele introduza dois dedos na vagina com a palma da mão virada para ele mesmo quando ele está de frente para você e faça movimentos de vai-e-vem. Em apenas alguns segundos, já vai ser possível dizer o que isso é capaz (ou não) de fazer pelo seu prazer. “De qualquer forma, tanto o ‘ponto G’, quanto o clitóris e a vagina são fontes da excitação sexual e estímulos originados em qualquer um deles podem levar ao orgasmo”, salienta o médico neurologista alemão Martin Portner.

  1. Um absorvente interno embebido em vodka dentro da vagina nos deixa bêbada mais rapidamente

Um dos rumores que andaram circulando pela internet: consumir álcool pela vagina – e não pela boca – dá um efeito rápido e sem deixar hálito de cachaça, estragar o estômago ou dar ressaca. Alguns esclarecimentos: 1. O álcool puro é corrosivo para a mucosa. Quem já se meteu a consumir alguma bebida alcoólica de qualidade duvidosa sabe bem como queima, desde o primeiro momento em que o líquido encosta na boca e durante toda a descida até o estômago; imagine como ficaria a situação lá embaixo? “Para se ter uma ideia, nem os médicos usam substâncias com álcool na vagina e ânus durante os procedimentos cirúrgicos”, afirma o educador sexual e psicólogo Breno Rosostolato, de São Paulo. 2. O absorvente interno é desenhado justamente para sugar, e não expelir líquidos, de forma que a vagina quase não absorveria o álcool; 3. Como você conseguiria introduzir na vagina um absorvente já inchado de líquido? O tamanho dos tampões é pensado justamente para você não precisar sofrer quando usá-los. Ou seja: não acredite em tudo que lê por aí. E, por favor: não tente isso em casa!

  1. Tamanho é documento

Bananas maiores são mais saborosas? Não necessariamente. E só porque ele é bem dotado, não significa que sabe usar melhor suas ferramentas. Pênis grandes não têm mais facilidade para atingir os hotspots femininos, como o ponto G (que é alcançado com um dedo, como já vimos) e, claro, o clitóris. Além disso, o membro exagerado pode machucar o útero se a penetração for empolgada demais. “Quando o cara fica acima da média, que é de 16 cm, isso acaba incomodando a mulher, porque o canal vaginal, em geral, tem de 15 cm a 18 cm”, lembra o urologista-chefe da Clínica Unix, Alex Meller, de São Paulo. Se o comprimento for grande demais, é essencial apostar na estimulação prévia para garantir o relaxamento dos músculos e, claro, uma boa lubrificação. O que realmente pode fazer a diferença? O diâmetro. O canal vaginal é repleto de terminações nervosas, que são bastante sensíveis à pressão e isso quer dizer que o prazer feminino não vem do movimento de entra-e-sai, mas da pressão contra as paredes da vagina. “Se o pênis é grosso, é possível estimular a região com mais intensidade, especialmente a frente do canal, que fica voltada para o teto quando a mulher está deitada de costas e é a parte mais sensível”, revela Alex. Mesmo se a grossura não for assim tão generosa, o que importa é o movimento: ele pode dar uma pequena inclinada na pélvis ou se movimentar em círculos.

  1. Não é possível engravidar naqueles dias

Os espermatozoides podem sobreviver dentro do corpo por muito mais tempo do que a maioria das pessoas pensa. O normal é que eles continuem ativos por três a cinco dias. “Mas alguns podem resistir até sete dias dentro do útero”, explica Livia Daia, supervisora médica e ginecologista da clínica Daia Venturieri, em São Paulo. “Dependendo do ciclo menstrual, pode ocorrer ovulação assim que acabar a menstruação.” E, em alguns casos, o óvulo pode ser fertilizado cerca de uma semana depois do início do período menstrual, com o espermatozoide já dentro do útero ou das trompas de Falópio – quase um milagre biológico, mas apenas um resquício de mecanismo evolutivo para garantir a preservação da espécie humana. “A chance é pequena, mas existe”, explica Livia. Uma ótima razão para evitar deslizes durante a menstruação.

  1. Os homens atingem o auge da sexualidade aos 18 anos

Será que você precisa procurar um garotão de 18 anos para ter um sexo incrível? Não. “O conceito de que os homens alcançam seu auge sexual aos 18 teve origem nos estudos do sexólogo pioneiro Alfred Kinsey, nos anos 50”, explica Martin. “Essa noção, contudo, é apenas baseada no fato de que, nesta idade, observa-se o pico dos níveis da testosterona.” A partir daí, a quantidade do hormônio no sangue vai diminuindo lentamente, assim como o vigor da ereção. Mas não se preocupe: a teoria pouco tem a ver com os resultados práticos. Os jovens, que deixam os hormônios tomar o controle das ações, são ótimos para uma rapidinha, certamente. Mas para um sexo realmente bom, o homem deve trazer mais tato, paciência e experiência, independentemente da idade. Além disso, nós também ficamos mais ousadas, conscientes de nós mesmas e aproveitamos mais as relações sexuais com o passar dos anos. “À medida em que a idade avança, o corpo responde de forma diferente à sexualidade. Suas preferências, desejos, fantasias e prioridades mudam”, lembra a psicóloga Sirlene Ferreira, de São Paulo (SP).

  1. Ele só consegue um

Bem, às vezes eles são capazes de ressurgir das cinzas. Quer dizer, homens também podem ter orgasmos múltiplos, só que não da mesma forma das mulheres, com um logo em seguida ao outro. E só aqueles que treinaram (sim!) sua capacidade de chegar lá – para serem capazes de controlar a ejaculação e “guardar” um pouco para depois – conseguem gozar mais de uma vez na mesma relação. Mas, honestamente, as chances de encontrar um cara com essa capacidade são tão pequenas quanto ganhar na loteria.

  1. Você fica com o gosto do que comeu

Ele diz: “Ah, então quer dizer que você andou beliscando uns ursinhos de gelatina?” pouco antes de fazê-la chegar ao sétimo céu usando a língua? Não. Então a comida não afeta diretamente o sabor dos fluidos corporais – e o segredo aqui é a palavra “diretamente”. Quem bebe muitos líquidos acaba diluindo o próprio sabor natural, que fica mais sutil. E a ideia generalizada de que suco de abacaxi pode deixar tanto o sêmen quanto os fluídos vaginais com um sabor agradável também é verdade. Mulheres diabéticas ou que consomem alimentos cheios de glicose podem ter um sabor mais adocicado. Mas nem tudo são flores – ou sabores gostosos. Do lado negativo, álcool, cigarro, alho, frituras e tudo que tem um sabor intenso, picante ou amargo pode afetar o sabor dos fluidos, deixando-os mais amargos. “Mas não há estudos que demonstrem que a vagina fique com gosto dos alimentos ingeridos. Sabores diversos nunca foram evidenciados”, diz Livia. Antes de começar uma dieta sexual para otimizar o sabor lá de baixo, atenção: órgãos saudáveis e bem higienizados já têm naturalmente odor e sabor agradáveis. Preste atenção à sua saúde geral, mantenha uma alimentação balanceada e pode petiscar os ursinhos de gelatina sem medo.

  1. Não há nenhum osso no pênis e, portanto, é impossível quebrá-lo

Muitos mamíferos têm ossos no pênis: ursos, macacos, cães, castores e toupeiras, por exemplo. Seres humanos, entretanto, não fazem parte desse grupo. Mas isso não quer dizer que o pênis não possa ser machucado a ponto de romper-se, de certa forma. “Se o membro ereto for dobrado, pode-se fraturar os corpos cavernosos, duas cavidades nas laterais que se enchem de sangue para ter a ereção”, esclarece a sexóloga Priscila Junqueira, de Campinas (SP). Um grande impulso, que encontre um ponto de resistência, ou uma flexão súbita do pênis durante uma ereção são suficientes para causar a lesão – a posição mais perigosa é quando você fica por cima dele. O pênis pode sair da vagina quando você sobe o quadril e, ao descer, a força da sua pélvis pode dobrá-lo. Sintomas: o homem ouve um estalo seguido por dor intensa, inchaço ou hematoma. Daí só há uma coisa a fazer: correr para o hospital imediatamente. Do contrário, o ferimento pode não cicatrizar bem. Portanto, cuidado na empolgação quando for cavalgar!

  1. Mulheres também ejaculam

E como! Algumas de nós, pelo menos. Mas vamos do início. Normalmente, as paredes vaginais cuidam da umidade com as chamadas glândulas de Bartholin, que produzem a lubrificação que desemboca na vulva. Mas há mulheres que trazem um elemento extra para o jogo – não é urina, mas um outro tipo de líquido que vem dessas glândulas e corresponde, cientificamente, à secreção que compõe um terço do esperma, produzida pela próstata masculina. Embora o gatilho para expelir esse líquido seja o mesmo dos homens (o orgasmo, claro), o nosso sai em forma de gotículas, seja com um intervalo entre elas ou de maneira intermitente. Elas às vezes são totalmente perceptíveis, às vezes sequer são notadas.

  1. O hímen é rompido na primeira relação sexual

Esse boato teima em permanecer no senso comum, embora isso só ocorra de fato durante a primeira relação sexual de cerca de metade das mulheres. Na outra metade, a pele (que é flexível) se dilata o suficiente para continuar intacta. Nessas mulheres, nem os absorventes internos, dedos ou qualquer prática esportiva podem rasgá-la. Mas fica uma curiosidade: onde, afinal, fica o hímen? É uma pelinha localizada de um a dois centímetros atrás dos lábios da vulva e rodeia a entrada da vagina como uma espécie de bainha, estreitando-a. Essa proteção pode aguentar tensões intensas sem nunca se romper. E, além disso, vamos deixar claro: nenhum homem é capaz de saber se e quantas vezes uma mulher já teve relações sexuais apenas olhando o hímen.

  1. A vagina pode prender um pênis

O pênis humano não pode ficar preso dentro de uma vagina humana, nem com muita contração. Com os cachorros isso acontece porque os machos têm uma área chamada bulbo, que aumenta de tamanho quando o cão fica excitado. As fêmeas, por sua vez, possuem um tipo de anel na entrada da vagina cujo diâmetro é menor do que o bulbo inchado. Assim, eles ficam presos até que o sêmen chegue ao útero e o bulbo diminua. Para os seres humano, não há perigo. É possível, no entanto, que ele sinta algum desconforto durante o sexo se os músculos da vagina se contraírem a ponto fazer certa pressão no pênis. Para as mulheres, o importante é saber o que acontece em caso de vaginismo, distúrbio que causa espasmos involuntários nos músculos ao redor da vagina, sem que você consiga controlá-los. Isso torna a penetração e exames intravaginais praticamente impossíveis e é necessário procurar atendimento médico e psicológico. As terapias são bem-sucedidas e muitas vezes envolvem treinamento pélvico.

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