#Escapes: a surpreendente Pedra Azul no Espírito Santo

Por Cacá Filippini

Cacá Filippini ao pé da Pedra Azul / Foto Arquivo Pessoal

A princípio, é apenas uma pedra com uma rocha adjunta em forma de um lagarto, rodeada de verde e pequenas comunidades. Ela fica no município de Domingos Martins, no Distrito de Aracê, há aproximadamente 90 km de Vitória, Espírito Santo. Destino de muitos casais, a Serra Capixaba está conquistando cada vez mais o turismo brasileiro e posso dizer que também me conquistou.

Com um formato que muda de acordo com o ângulo que é observada e cores que variam conforme a hora do dia – roxo ao amanhecer, dourado ao entardecer–, a Pedra Azul tem quase 2 mil metros de altura – mais precisamente 1.822m até o pico.

Ao seus pés, uma estradinha bucólica de 8,5km com grandes alamedas e tapetes verdes, que tem início no Km 89 da BR 262 e que nos leva ao meu destino final, a Pousada Rabo do Lagarto (http://www.rabodolagarto.com.br), minha escolha para o descanso do feriado de 15 de novembro.

Foto Divulgação

Com clima romântico próprio das serras mais frias e ao mesmo tempo super intimista, a Rabo de Lagarto faz parte do Roteiro de Charme e se destaca pelo capricho da decoração e dos detalhes. Lá, tomar um chá é um ritual delicioso com vista para uma das faces da Pedra.

Vista da varanda da Pousada Rabo do Lagarto / Foto Acervo Pessoal

A capixaba e decoradora de mão cheia Lília, casada com o paulista Enéas, transformou em 2003 a casa de férias do casal em uma hospedagem charmosa e minuciosamente decorada. Desde então, ela acolhe cada hóspede de forma personalizada e pessoal. Foi ela que me recebeu quando cheguei. Bastante expressiva e boa de papo, me deixou muito à vontade e fez questão de me contar um pouco sobre o local.

Dentre nossas conversas, Lília me conta que está sempre mudando detalhes da pousada – tanto na decoração, quanto no menu –, às vezes, até com pequenas obras, de modo a surpreender hospedes assíduos. Engajada na região, meus planos de descansar foram por água abaixo (rs). O livro que levei para ler sequer tirei da mala. A playlist que criei para a viagem de descanso também não foi ouvida. Do plano de dormir a tarde e curtir a natureza, só a curtição ficou!

Boa de papo, a proprietária da pousada mantém um relacionamento próximo aos hóspedes / Foto Arquivo Pessoal

Como boa anfitriã, Lília nos apresentou a Orácio Barcellos Filho, do Blog local Dicas do Orácio, com o intuito que o mesmo nos acompanhasse em uma visita ao Parque Estadual da Pedra Azul, que de quebra, nos apresentou a recém formada em Jornalismo, Luisa Lang, do Blog Pelos Olhos do Lagarto (www.instagram.com/pelosolhosdolagarto), que criou como tema de seu TCC.  Dali em diante éramos eu, minha amiga Amanda Silva, Orácio e Luisa.

Seguimos, sem sucesso, rumo à primeira trilha do Parque, mas não conseguimos subir naquele dia. Por motivos de preservação, o local recebe até 150 visitantes ao dia e claro que às 15h esse número já havia sido atingido.

Mas o passeio não deixou de ser ótimo, pois pude conhecer o famoso Guarda Belo, o Sr. José Bellon, que há 12 anos guia visitas e mantém seus olhos brilhando ao contar “causos” para quem por lá passa. E digo que foi ótimo, pois o primeiro “causo” da região me foi contado por esse senhor com seu cajado em mãos, que criou toda uma estória em torno das formas da pedra e de “acontecimentos”. Este é um modo carinhoso de receber os visitantes que se deslocaram até o local e não puderam subir na pedra, segundo o guarda, que gentilmente me presenteou com um de seus cajados, desenhado por ele, com caligrafo há mais de décadas.

Cacá aproveita as piscinas naturais de Pedra Azul / Foto Arquivo Pessoal

Amante de trilhas que sou, no dia seguinte, lá estávamos nós na abertura do parque (às 9h da manhã) para garantir nossos ingressos. De quebra, fizemos a Trilha da Pedra Azul, com percurso de 1900 metros (ida e volta), que vai até a base da pedra, passando pelos mirantes e Forno Grande. Fizemos também a trilha do Cedro Sentado, com percurso de 600 metros, onde chegamos ao mirante. Na sequência, fomos à Trilha das Piscinas Naturais, em que é preciso fazer uma escalada de 97m com auxílio de corda.

A recompensa está aí na foto: um cenário de encher nossos olhos, com água fria das montanhas, mesmo em dias quentes.

No dia 3, ainda tentamos fazer a Trilha do Forno Grande, mas não conseguimos chegar nem na metade por conta da chuva que caiu. Por questões de segurança, deixamos para um novo #ESCAPE. Mas já fica um “spoiler” através da foto abaixo:

Início da trilha do Forno Grande / Arquivo Pessoal

Foram 4 dias sem pré-planos que se transforam em momentos deliciosos, em que fiz novos amigos, conheci novos lugares, vivi novas aventuras e convivi com pessoas muito especiais.

Esse é um breve relato do que experimentei em terras capixabas, mas que as palavras da minha companheira de jornada, jornalista e amiga Luisa Lang de 22 anos e moradora de Pedra Azul desde 1999, define bem:

“Falar sobre Pedra Azul é falar muito mais do que as imagens podem mostrar. É contar da relação de respeito das famílias para com a terra e o zelo que elas têm há décadas. O zelo de quem planta com amor, colhe os frutos maduros e doces. A vila é rica. Digo rica no sentido de pessoas, ideias, conexões e energias. E como explicar essa riqueza? Só conhecendo e se apaixonando por cada canto visto pelos olhos do lagarto.”

Quer mais inspiração para conhecer Pedra Azul? Espia o vídeo ao final da matéria e lembre-se, faça menos do mesmo e viva melhor!

Crédito: Carlos Viera, filmaker e publicitário