Semana do Aleitamento Materno: famosas contam suas experiências

Por Ana Paula Ferreira

Foto Reprodução/Instagram

Amamentação é a Base da Vida. Esse foi o slogan escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a campanha de 2018 da Semana Mundial de Aleitamento Materno, celebrada sempre entre os dias 1 e 7 de agosto. E não é para menos: o leite materno tem total influência na vida dos bebês e das mães, uma vez que é capaz de combater a fome e promover saúde.

Segundo dados da OMS, aumentar o aleitamento materno para níveis quase universais poderia salvar a vida de mais de 820 mil crianças com menos de 5 anos e 20 mil mulheres por ano. Além disso, uma pesquisa feita com mais de 4 mil mães no Hospital Kaiser Permanente, na Califórnia (EUA), apontou que o aleitamento reduz os riscos de diabetes do tipo 2. Geralmente causada pela má alimentação, essa é a versão mais comum da doença em mulheres, ficando atrás apenas da diabetes gestacional.

Mas nem sempre essa é uma tarefa fácil. Nos últimos dias, algumas famosas usaram as redes sociais para compartilhar suas experiências e dificuldades com a amamentação. Leia abaixo alguns dos depoimentos:

Tainá Müller

“Hoje é o Dia Mundial da Amamentação. Nada foi tão desafiador. Nada foi tão mágico. Nutrir quem você mais ama com alimento do próprio corpo tem algo de sagrado. E nada de glamuroso. Força para todas as lactantes desse mundo que abdicam de todo o resto para estarem disponíveis para suas crias. Força para as mulheres que tentaram e não conseguiram. Respeito absoluto às que simplesmente não quiseram. E quanto a mim, às vezes ainda sonho que amamento e secretamente torço para que meu filho lembre alguma coisa do que vivemos durante esse 1 ano e 3 meses de ocitocina. E para quem quer muito amamentar, mas está prestes a desistir, busque apoio. Vale a pena.”

Sheron Menezzes

“Essa lembrança linda é para celebrar o início da Semana Mundial da Amamentação… Amamentei exclusivamente no peito até os 7 meses e meio (passarinho não aceitou bem a introdução alimentar) e continuo amamentando… Não foi fácil no começo. Tive dor, bico rachado, bico sangrando, peito empedrado… Cansa, mas depois que tudo isso passou, descobri o prazer da amamentação e se tornou a coisa mais deliciosa, os momentos mais maravilhosos do meu dia, quando ficamos olho no olho, corpo com corpo, respirando na mesma sintonia. Pretendo amamentar meu guri ate os 2 anos de idade ou mais, e, enquanto Benji quiser, sempre terá um colo quentinho e um mamazinho gostoso esperando por ele. Tente, insista! Nossos bebês merecem esse cuidado e esse carinho! É pra toda a vida! Amamentação é a base da vida.”

Carol Castro

“Dia mundial da amamentação. Eu chamo de AMARmentar porque é um ato de amor. Requer amor. É só amor! O início pode ser muito difícil, mas vale a pena cada segundo… Essencial para o bebê e para a mãe. Agradeço todos os dias por poder ter esse momento mágico com minha filha. E continuarei. Mesmo trabalhando. Tira leite no trabalho, armazena. Transporta. E assim vai! E se sobrar, doa. Persistam, mamães! O leite materno é muito valioso.”

Bella Falconi

“[…] Essa foto é um #tbt do dia que a Vicky veio ao mundo e resolvi postar porque nessa semana estamos falando muito da importância da amamentação e resolvi compartilhar minha experiência. Eu pensei varias vezes se deveria ou não postar a respeito, afinal, com que propriedade eu poderia falar do assunto se nele fracassei? E é aí que está a grande questão – o fracasso não elimina a importância, assim como as dificuldades não devem eliminar as tentativas.

Eu sofri muito por não ter tido leite e por não ter conseguido amamentar, devido a anatomia do bico do meu seio. Eu chorei dia e noite me culpando e pensando ‘a Vicky nunca vai ter conexão comigo’. Foi MUITO difícil. Fui julgada por algumas mães nas redes sociais, mas também apoiada e consolada pela maioria. Experimentei de tudo um pouco – a dor e a delicia de ser mãe. Embora eu julgue o aleitamento uma das coisas mais importantes no universo materno, eu aprendi que o apoio mútuo também é de igual importância, pois por vezes me senti desamparada e perdida.

Não posso mentir – também sentia uma pontinha de ‘ciúmes’ quando via outras mães amamentando e olhava para mim naquela situação, onde simplesmente fracassei. Hoje, mais madura, sei que nem tudo sai da maneira como planejamos e que a forma como lidamos com as circunstâncias acaba sendo ainda mais importante do que as circunstâncias em si. Eu não sei se com a Stella dará certo ou não, mas só peço a Deus que me dê forças caso a resposta seja ‘não’, mais uma vez. Independente do meu insucesso eu ressalto – AMAMENTAÇÃO é amor! Amamente, se doe ao seu filho assim como Deus o doou a você.”

Andressa Suita

“[…] Quando engravidei pela primeira vez, me senti maravilhosa e aceitei toda a força da natureza fluindo no meu corpo, dos primeiros movimentos do Gabriel ao parto e, sobre amamentar, não seria diferente. Mergulhei no meu puerpério para fazer cada gota de leite valer a pena. Como tantas mulheres, mãe de primeira viagem, eu desejava muito dar de mamar. Primeiro veio a pega, depois a descida do leite (e eu sempre tenho bastante, graças a Deus), os mamilos machucados e uma cirurgia no Gabriel para cortar o freio da língua. Noites mal dormidas, cansaço e uma cobrança pessoal: tinha que dar certo!

Contratei várias pessoas para me ajudar, ouvia muitas outras, me cansei beirando a exaustão. Me perdi. A produção diminuiu e, aos três meses de vida dele, foi impossível continuar. Me frustrei. Me senti incapaz. Duvidei da minha habilidade de ser mãe. Mas fui abençoada ao ponto de poder reviver tudo de novo, gestar de maneira saudável, parir bem assistida e, agora, amamentar.

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Vivi com muito mais tranquilidade a descida do leite dessa vez, os mamilos machucaram novamente sim mas percebo a melhora aos poucos e o Samuel também fez a cirurgia para cortar o freio. Mas agora vivo um momento por vez. […]Dou peito quando o Samuel pede. Ordenho o excesso e armazeno. Me livrei da culpa e me dei conta de que muita gente sabe muito sobre crianças, mas que dos meus filhos eu sei mais. Sou uma leoa! Sou a mãe que posso ser e a melhor mãe para os meus filhos. Revivo a Semana Mundial da Amamentação pela segunda vez seguida reconhecendo a importância do leite materno, feliz com o sentimento indescritível de ter meu bebê aninhadinho no colo. A beleza de tudo isso é divina e digo: estou tentando, entregue e de peito aberto, mais uma vez.”

Importância da Semana Mundial do Aleitamento Materno

Criada em 1992 pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (Waba), a campanha reforça a importância do leite materno para o desenvolvimento das crianças até dois anos e de forma exclusiva até os seis meses de vida, conforme indicado pela OMS.

De acordo com a organização, além de reduzir em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos, a amamentação também reduz casos de diarreia, infecções respiratórias, hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade nos bebês.

Ainda assim, os números do aleitamento materno não são bons. Na região das Américas, por exemplo, pouco mais da metade (54%) das crianças começam a ser amamentadas na primeira hora de vida. Apenas 38% são alimentadas exclusivamente com o leite da mãe até os 6 meses de idade. E somente 32% continuam sendo amamentadas até os dois 2 anos.

“É muito pouco. Nós precisamos mudar esse cenário. Afinal, a amamentação é um dos pilares da vida. Faz tão bem à saúde que é considerada essencial para alcançarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, dos quais o Brasil e outros 192 países são signatários”, disse o representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Joaquín Molina, em entrevista ao portal da ONU BR.