Após ataques de vômito, mulher descobre doença por fumar maconha

Por Redação WH Brasil

Mulher descobre doença por fumar maconha
Foto Shutterstock

Após ser hospitalizada seis vezes com ataques intensos de vômito, uma mulher de 27 anos descobriu que a raiz de seu problema era o consumo diário de maconha. A moradora de Minnesota (EUA) passou um ano sofrendo com sintomas como náuseas, dor abdominal e vômitos, quando foi diagnosticada com “síndrome do vômito de cannabis”.

De acordo com o Daily Mail Online, o relatório médico publicado no British Medical Journal Case Reports mostra que ela se queixava de dores, comparando a uma sensação de “compressão” em seu abdômen e de “ferida” nas costas.

Os médicos levantaram hipóteses de várias causas, como uma doença do estômago, inflamação no abdômen ou gravidez. Contudo, em sua última visita ao hospital, ela citou que fumava maconha quase todos os dias, desde os 20 anos.

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Foi quando eles finalmente a diagnosticaram com uma condição pouco conhecida chamada síndrome da hiperemese canabinóide, na qual os usuários crônicos de cannabis vomitam incessantemente sem explicação.

A síndrome é uma condição recentemente descoberta, mas mal compreendida. Ela ocorre em usuários que fumam pelo menos 20 vezes por mês.

Segundo um estudo feito em 2015, a incidência de vômitos por essa causa dobrou no Colorado (EUA) depois que a erva foi legalizada, bem como a incidência de CHS aumentando em outros estados onde a droga é legal.

Além disso, uma pesquisa liderada pelo Mount Barker Hospital, na Austrália, apontou que pacientes que tinham ataques de vômitos repetidamente tinham algo em comum: o uso crônico de cannabis. Dos 10 participantes do estudo, sete que pararam de fumar maconha viram seus sintomas desaparecerem. Os três que se recusaram a abster-se continuaram com náuseas e vômitos.

Então, por que fumar maconha causa este problema?

De acordo com um estudo de 2017 realizado por Cecilia Sorensen, uma médica de emergência do University of Colorado Hospital (EUA), a resposta está no sistema endocanabinoide.

Trata-se de um grupo de moléculas sinalizadoras lipídicas – chamadas endocanabinoides, frequentemente consideradas como a “cannabis natural” do próprio corpo – e seus receptores. Esses receptores controlam muitos processos fisiológicos, incluindo a ingestão de alimentos, o balanço de energia, a recompensa e a mediação dos efeitos da cannabis.

“Esses receptores estão em todo o nosso intestino”, disse Sorensen à revista Popular Science. “Eles têm um papel na regulação da motilidade gástrica e intestinal para controlar a propulsão de alimentos e líquidos.”

Ela explica que muito do THC – composto psicoativo presente na maconha –, pode danificar os receptores. “Isso altera a sua motilidade intestinal”, aponta. Sempre que a motilidade gástrica é obstruída, você fica com dor abdominal e náusea realmente graves.

Como amenizar esse problema?

De acordo com pesquisadores, a paciente recebeu um creme tópico contendo capsaicina, o principal componente das pimentas. Segundo um artigo de 2011 da Harvard Women’s Health Watch, acredita-se que a capsaicina alivie a dor liberando uma substância química chamada P, que transmite sinais de dor dos nervos para o cérebro.

Depois que o creme é aplicado várias vezes, as reservas da substância P se esgotam no corpo. Assim, menos sinais de dor são transmitidos.

A mulher relatou que após aplicar o creme, os sintomas de dor abdominal e lombar diminuíram. Contudo, a única cura para a síndrome é parar de consumir maconha. Vários estudos, inclusive, sugerem que o alívio completo leva de sete a dez dias.
Com isso, a mulher decidiu parar de consumir maconha após ser consultada por médicos. Ela saiu do hospital quatro dias depois.