Eu venci um câncer: 600 mil novos casos no Brasil em 2017

Por Thieny Molthini

Segundo oncologista, no país, metade dos pacientes se cura da doença

Só em 2016 o Brasil registrou 57.960 novos casos de câncer de mama, motivo mais do que suficiente para que em outubro a atenção se volte para o problema. Mas é preciso ir além. Ao todo, o país registrou mais de 300 mil novos casos de câncer em mulheres no ano passado. Entre homens e mulheres, são quase 600 mil novos casos estimados para cada ano do biênio 2016/2017. Os dados são do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

De acordo com Fabiana Baroni Makdissi, cirurgiã oncologista e diretora do Departamento de Mastologia do A.C.Camargo Cancer Center, a incidência de câncer em mulheres tem aumentado nos últimos anos devido a três fatores: o aumento da expectativa de vida (como é considerado uma doença degenerativa, quanto maior a expectativa de vida, mais casos), mais exposição a fatores de risco (como o tabagismo), e o uso tecnologias avançadas que resultam na descoberta de um número maior de casos.

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Segundo Fabiana, algumas atitudes estão extremamente relacionadas com a redução de alguns tipos de tumores.

  •  Abandone o cigarro, isso reduz drasticamente, por exemplo, a incidência de câncer de pulmão e de outros tipos como boca, garganta, laringe;
  •  Use filtro solar, evitando o aparecimento de câncer de pele;
  • Reduza a ingestão de alimentados industrializados, embutidos ou com muito sal e consuma frutas e legumes, assim vai diminuir a incidência de câncer de estômago e intestino;
  • Pratique atividade física;
  • Adote uma dieta equilibrada;
  • Tente reduzir o uso indiscriminado de reposição hormonal.

No entanto, há fatores de risco sobre os quais não é possível intervir, como, por exemplo, a idade da primeira menstruação e o número de filhos. Há ainda questões hereditárias. “Cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de mama são caracterizados como hereditários”, explica Fabiana.

Exames preventivos

Quando se fala em câncer, existem dois tipos de exames preventivos, os de prevenção primária e de prevenção secundária. Os exames de prevenção primária são para evitar que a doença aconteça, como os de colonoscopia, endoscopia, papanicolau e avaliação de pele. “Com eles é possível interferir em pólipos e outras lesões antes que elas venham a se transformar em um câncer”, esclarece a especialista. A mamografia, por sua vez, é um exemplo de exame de prevenção secundária, já que ele tem o potencial de diagnosticar a doença precocemente, não de evitar que ela ocorra.

Quando há ocorrências hereditárias de câncer mama, recomenda-se um teste genético que investigará mutações, dentre elas no gene BRCA1, que representa uma predisposição aumentada para desenvolvimento de câncer de mama e ovário. “Para essas mulheres, discutido paciente a paciente, pode ser indicado um rastreamento em idade mais jovem e mais frequente com exames de imagem ou a cirurgia profilática, que consiste na retirada preventiva das mamas e dos ovários”.

Tratamento

Fabiana ressalta que “temos chance de vencer o câncer todos os dias” e quanto mais cedo ele for diagnosticado, maiores as chances de cura. “Hoje, no cenário nacional, quando se fala de câncer em geral, cerca de metade dos pacientes se curam e é fundamental que essas pessoas trabalhem, voltem à sua rotina de vida como um​ todo em pleno vigor.”

“É importante promover o diagnóstico precoce dos tumores que têm métodos eficazes de rastreamento, pois isso possibilita tratamento de tumores menores, menos agressivos, gerando menos sequelas físicas e emocionais e com altas taxas de cura”, reforça a oncologista.

Quando diagnosticado o câncer, há diferentes formas de tratamento, que variam caso a caso. Para os tumores de pele do tipo não melanoma (o mais recorrente no Brasil) o tratamento mais comum é a cirurgia isoladamente. Para mama, por exemplo, as abordagens podem ser cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia. Já no caso de pulmão e melanoma há estudos que analisam o uso de uma modalidade terapêutica chamada imunoterapia, que conta, inclusive, com medicamentos já disponíveis.

“Vale ressaltar que o tratamento é multicêntrico e multimodal, ou seja, ele precisa da prática de profissionais de diferentes especialidades, atuando em conjunto, de forma integrada”, destaca Fabiana.

 

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