“Adoro o que é muito difícil”, conta Karina Oliani

Atleta transforma adrenalina em estilo de vida ao encarar de perto as montanhas mais altas do planeta

Foto: Pitaya Filmes

Por Lika Rodrol

Um desafio, inúmeras sensações. O prêmio? A própria superação. Chegar ao topo do Monte Everest, o mais alto pico da Terra – seu cume está 8.848 metros acima do nível do mar –, rendeu à Karina Oliani, 35 anos, o título de primeira mulher sul-americana a escalar a famosa montanha por suas duas faces.

No dia 17 de maio de 2013, ela ncou os pés na montanha gelada pelo lado mais difícil, o norte. Foram 20 dias de aventura. “Apesar dos problemas, como a asma induzida pelo frio extremo e de quase ser pega por uma avalanche, ter aquela vista do topo do mundo trouxe uma sensação de gratidão maravilhosa”, diz. Este ano, alcançou o mesmo topo pelo lado sul. “Foi um desafio grande, mas eu adoro o que é muito difícil. Sempre fui assim. Eu traço uma meta, vou lá e faço”, completa.

Não que Karina estabeleça suas aventuras por impulso. Ela sabe que é preciso se preparar. Seja para trilhas ou para altos picos, ela intensifica o condicionamento físico para enfrentar o desafio.

A paixão por montanhismo acompanha, na mesma intensidade, a por rapel, escalada em rocha, hipismo, motocross, bungee jump, stand-up paddle, canoagem, surf, kitesurf, sandboard, esqui aquático e corridas.

O amor pela adrenalina vem desde pequena. “Sempre fui assim, e meus pais sempre incentivaram.” Tanto que, aos 12 anos, fez seu primeiro salto de paraquedas e um curso de mergulho. O título de bicampeã brasileira de wakeboard veio aos 17, quando também arrematou o 1o lugar (pela terceira vez) na Categoria Open em snowboard e se tornou recordista em mergulho livre.

O medo? “Claro que eu tenho, mas administro de forma diferente. Ele me impulsiona. Gosto desse frio na barriga. Não deixo ele me travar”, entrega. Já são mais de 20 anos dedicados aos esportes radicais, e Karina garante que, pelo tempo de aventura, foram poucas fraturas. Mas claro que alguns sustos são inevitáveis. “Já machuquei feio a coluna e achei que caria tetraplégica.

Tinha só 18 anos e estava treinando uma manobra na cama elástica. Era um mortal de costas. Caí de cabeça direto no chão, tive um choque medular e perdi o movimento de todos os membros, mas recuperei horas depois. Fiquei seis meses de molho, mas não desisti da veia aventureira.”

Sua realização pessoal não está associada apenas ao reconhecimento nos esportes ou à superação física. Ela divide o tempo com outra paixão, a medicina, e inclusive traz na bagagem o rótulo de primeira brasileira especialista em medicina de emergência e resgate em áreas remotas.

No comando da Medicina da Aventura, organização formada por médicos voluntários, ela participa de ações beneficentes ao redor do mundo. “Já tirei 30 dias para fazer atendimento médico em lugares extremamente afastados, como a fronteira da Índia com o Paquistão, uma zona de conflito. Até parto no rio Amazonas já aconteceu.

E o bacana é que muitas pessoas, de diferentes pro ssões, mandam inscrições para colaborar nessas atividades, sem qualquer outro interesse que não seja ajudar”, conta.

E o trabalho duro tem dado frutos. “Fui a médica mais jovem convidada a dar três diferentes aulas na Harvard University [EUA]. Quando eu vi a sala lotada, fiquei emocionada, isso me marcou muito”, relembra. A loira de 1,67 metro também ficou famosa na TV. No currículo, apresentações no Fantástico e documentários dos canais OFF e Discovery, entre outros.

Mas Karina garante que ainda tem tempo livre. Quando não está em alguma empreitada médica ou de aventura, gosta de dançar, prática que a levou a conhecer o marido. E claro, até nisso ela imprime a sua intensidade. Fez três anos de balé, alguns outros de dança do ventre, mais alguns de pole dance… Karina mescla tudo isso com o treinamento funcional, corrida, nado, remo e, de vez em quando, procedimentos de exército de guerra na selva. Salve a endorfina!

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