Adoçantes: entenda eles porque são um risco para saúde

Descubra o que eles podem estar fazendo com a sua cintura (e saúde) neste exato momento

Sam Kaplan

Por Gabriel Bentley e Michelle Stacey

Apesar de surgirem cada vez mais adoçantes artificiais, nem tudo é tão doce quando se trata deles. Sabores estranhos, efeitos indesejáveis no sangue e evidências crescentes de que eles são capazes de aumentar o peso em vez de diminuir dão sinal amarelo aos substitutos do açúcar.

Com açúcar na lista do “evitar” de todo mundo – acusado de causar não só ganho de peso, mas possivelmente diabetes, câncer e doenças cardíacas –, o uso de adoçantes artificiais vem crescendo cada vez mais. O consumo subiu 54% entre 1999 e 2012, e as previsões apontam que deve chegar em 59% até 2020. Com isso, cientistas estão criando variedades de edulcorantes extraídos de plantas com o objetivo de serem opções mais saudáveis e melhores que as criadas no laboratório.

Natural e com quase zero calorias: o que poderia dar errado? Vamos começar com a dúvida número 1: o que são edulcorantes? “São adoçantes. Podem ser classificados em naturais (frutose, lactose, estévia) e artificiais (aspartame, sucralose)”, esclarece Fellipe Savioli, médico do esporte e nutrólogo pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), de São Paulo.

Já as outras questões são um pouco mais difíceis de responder. Eles poderiam estar fazendo as pessoas ganharem peso? Ainda podemos considerar como “natural” se forem quimicamente alterados e manipulados? A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deveria permitir que esses novos substitutos fossem rapidamente liberados no mercado simplesmente porque são derivados de plantas. A seguir, algumas respostas que a ciência já sabe.

Os edulcorantes artificiais surgiram na década de 1950, prometendo a perda de peso pela redução de calorias. Também se acreditava que eles seriam melhores para pessoas com níveis elevados de glicose no sangue, como diabéticos. Mas, em torno do início dos anos 2000, pesquisas sugeriram que, na verdade, eles promoviam o aumento de peso. Os especialistas foram colocados em xeque. Alguns alegaram um vínculo psicológico – se você sabe que está economizando calorias em sua bebida diet, pode subconscientemente comer muito mais.

Mais recentemente, quando os pesquisadores se aprofundaram nos mecanismos fisiológicos que ligavam adoçantes ao ganho de massa, surgiu outra surpresa: os substitutos também podem aumentar as chances de alto nível de açúcar no sangue, de síndrome metabólica e de diabetes – justamente o pacote maléfico que eles prometiam evitar. Um estudo de 2014 publicado na revista científica Nature analisou que, depois que as pessoas adicionaram alimentos artificialmente adoçados em suas dietas por uma semana, seus níveis de açúcar no sangue aumentaram, o que sugere resistência insulínica, um quadro de pré-diabetes. Além disso, a insulina é um hormônio que promove formação de gordura e evita sua quebra, dificultando a perda de peso.

“Estudos também apontam que os adoçantes artificiais podem diminuir a atividade do sistema dopaminérgico, responsável pela sensação de satisfação pós-refeição. Essa falta de saciedade é capaz de aumentar o consumo diário e, em alguns casos, levar à obesidade”, explica Maria Flávia Sgavioli, consultora da VP Nutrição Funcional, em São Paulo.

E os malefícios do substituto do açúcar não param por aí. Eles também mexem com o seu microbioma, segundo estudo de 2014 feito em ratos. “Isso pode ocasionar um desequilíbrio da flora intestinal, causando alterações em bactérias que afetam a regulação de açúcar no sangue”, aponta Fellipe. E uma pesquisa do m do ano passado no Massachusetts General Hospital (EUA) descobriu que, conforme o aspartame – um dos edulcorantes mais comuns – quebra no trato gastrointestinal, ele produz um químico que interfere com enzimas digestivas auxiliares na prevenção de obesidade, diabetes e síndrome metabólica. “O aspartame possui um sabor muito próximo ao do açúcar branco, mas não compensa os prejuízos à saúde”, aponta Flávia. “Ele pode causar transtornos de humor, insônia e até depressão por baixar os níveis de serotonina, o hormônio do bem-estar”, completa.

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