4 erros mais comuns nos relacionamentos (e como sair dessa cilada!)

Não caia nessa de novo

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Por Bruna Castro e Juno DeMelo

FICAR COM MENINOS, NÃO COM HOMENS

Apesar de ter um diploma de pós-graduação e uma carreira promissora, Sarah*, 36 anos, passou boa parte da sua vida adulta “namorando caras que não tomaram rumo na vida”, segundo ela. Entre os “crianções” com quem se envolveu, estão um aspirante a escritor endividado, um viciado em videogames e um compulsivo por compras. Sarah deixou todos em menos de um ano. Por que, então, a atração por esses tipos? “Eram todos carinhosos”, diz. “Eles ofereceram um amor que, perfeccionista como sou, tive dificuldade em dar para mim mesma. Além disso, o relacionamento tirou o foco de mim, porque o coloquei em alguém que precisava de mais ajuda do que eu.”

Por que acontece

Querer controlar a vida de alguém é a sina da perfeccionista. “Desejar mudar o outro é uma forma de controle, e isso é diferente de ajudar. É preciso auxiliar em um ritmo que não atropele, sem tirar o foco da sua própria vida, pois isso é um autoboicote”, conta Lígia Baruch, de São Paulo, psicóloga especialista em relacionamentos na era digital, autora do livro Tinderellas (editora Ema Livro). Ao mesmo tempo, escolher alguém menos ambicioso que você te faz ficar com o ego mais em cima, se sentindo mais forte e segura.

Lição aprendida

“Para relações de longo prazo, pesquisas apontam que as pessoas buscam similaridades, inclusive educacionais e financeiras. Mas, no fim, o que conta é o equilíbrio entre o quanto você se doa e o quanto recebe – sem o estereótipo do que é coisa de homem ou de mulher. As relações precisam ser democráticas para serem satisfatórias”, diz Lígia. Para resistir ao charme do imaturo, preste atenção antes à sua necessidade de controle: não conseguiu ir à academia hoje? Não se culpe. Estourou um pouco o prazo daquele trabalho? Não se cobre. Uma vez que você começa a ser sua própria amiga e fã, vai começar a se atrair por parceiros iguais, não inferiores.

MISTURAR AS FINANÇAS CEDO DEMAIS

Aos 29 anos, Mariana* foi morar com o namorado com quem estava havia seis meses. “Combinamos de dividir as contas. Porém tudo estava no meu nome, e ele não tinha o mesmo peso de responsabilidade que eu. Dividíamos os valores, mas ele tinha dívidas, e fui ficando sobrecarregada. Eu achava que era só uma fase financeira ruim, que ele iria conseguir mais trabalho. Mas ele foi se acomodando, todo mês atrasava para me depositar e eu tinha que cobrar. Acabamos terminando e deixei tudo para trás para evitar o estresse. Estou tendo que pagar as dívidas sozinha, mas preferi assim.” Hoje Mariana acredita que tudo teria sido melhor se ela tivesse conversado mais abertamente com o namorado sobre as finanças, mas não queria constrangê-lo.

Por que acontece

Cerca de 10% dos casais – quase  700 milhões de pessoas,  estão morando juntos sem ter um casamento formal.  Muitas vezes, dar esse passo faz vocês se sentirem mais como um casal “de verdade”. “Mas o assunto financeiro precisa ser discutido antes. Vocês precisam se sentir à vontade para conversar sobre isso”, diz Eduardo Amuri, consultor financeiro de São Paulo e autor do projeto dinheirosemmedo.com.br.

Lição aprendida

Não existe uma fórmula fechada para todos os casais, “mas tem um jeito que funciona para a maioria das pessoas: cada um mantém sua conta individual, e o casal abre uma terceira em conjunto, para as despesas comuns”, orienta Eduardo. “Abasteçam essa conta mensalmente como decidirem ser melhor. Seja com um valor igual para os dois ou uma porcentagem do que cada um ganha.” E se vocês estão pensando em fazer uma grande compra em conjunto, conversem sobre o que aconteceria se terminassem. Pode parecer estranho discutir a possibilidade de uma

eparação, mas acordos e conversas são acima de tudo sinais de amizade.

IGNORANDO OS SINAIS

Logo depois de terminar um longo relacionamento com um barman tranquilo e divertido, Luísa*, de 32 anos, se apaixonou por Mateus: bonito, inteligente, sensível e que ainda tinha um cargo elevado no trabalho, com plano de carreira. Ele havia acabado de se divorciar e parecia receoso em se comprometer, então ela decidiu não pressioná-lo e dar o espaço necessário. Mateus era muito discreto, e Luísa só conhecia um ou dois de seus amigos. Às vezes chegavam a ficar dias sem se falar. Mas ela manteve a calma, mesmo quando encontrou uma calcinha em sua cama. “Ele parecia tão surpreso quanto eu, por isso acreditei na explicação de que podia ter sido uma confusão da lavanderia.” Olhando para trás, ela se arrepende: “Eu escolhi ser feita de tonta, queria acreditar que fosse verdade”. Quando uma amiga de Luísa viu Mateus com outra mulher, ficou claro que ele a traía.

Por que acontece

“Ignoramos os sinais vermelhos porque temos um projeto idealizado de amor, então deixamos de enxergar a pessoa e só focamos na ideia. Ainda percebo mulheres que têm pouco contato com o que realmente desejam e que são vítimas das convenções sociais: procuram casar e ter filhos sem se perguntar se esse é o modelo que as faz mais felizes”, diz Lígia. Essa é uma razão para ignorarmos os sinais. Outra explicação para nos envolvermos com tipos indisponíveis emocionalmente? Não queremos realmente nos relacionar em um nível profundo. “A projeção é uma questão central. Às vezes a mulher só se encanta por homens casados ou que vivem longe porque elas não querem se comprometer”, afirma Lígia.

Lição aprendida

Ligia aconselha: “Autoconhecimento é fundamental. Pergunte-se: o que você quer neste momento? Segurança ou aventura? Eu desejo a mesma coisa que a outra pessoa? Só assim você vai saber escolher um parceiro que se alinhe com as suas vontades. Tenha em mente os defeitos que seriam intoleráveis para você, pois, com a convivência, a tendência é que eles aumentem e incomodem mais”. Se você entender que quer mesmo um compromisso, preste atenção nos sinais verdes: ele retorna sua ligação em seguida quando você está em apuros, não tem horário para responder suas mensagens (por exemplo, só quando está no trabalho e nunca de noite, em casa) e, depois de quatro meses, você conhece uma boa parte dos amigos dele.

Caindo no drama

Simone* conheceu Pedro quando cursava o segundo ano de faculdade. Ela estudava produção de teatro, e ele, atuação. “Quando ele quis ficar comigo, eu disse não, não queria arruinar nossa amizade. Mas ele persistiu e, depois de nove meses, nós acabamos ficando”, diz Simone, agora com 23 anos. “No início, sair com ele parecia estrelar uma comédia romântica: ele era bonito, sensual e carismático. Mas as coisas mudaram. Pedro começou a dar em cima de outras mulheres e a furar comigo para ir a festas de encerramento de peças, desejando a atenção de todo mundo”, ela lembra. O relacionamento acabou em três meses. “Foi um absurdo ver que ele insistiu em mim por tanto tempo e acabou nisso”, conta.

Por que acontece

Pedro tem sinais de um narcisista, segundo a psicóloga Roberta Gobbi Baccarim, especialista em sexualidade humana, de São Paulo. “Apesar de ser impossível generalizar, existem pessoas que têm uma personalidade narcísica e buscam admiração incondicional. Elas normalmente se envolvem com gente de autoestima baixa, assim estão sempre na posição de ‘cereja do bolo’ da relação”, explica. Pode parecer que ele estava atrás de você, mas, na verdade, estava atrás da sua admiração.

Lição aprendida

Para diferenciar um narcisista de um romântico, preste atenção no que ele conta sobre o passado. Se está cheio de casos que terminaram abruptamente, ele vive pela conquista. Outro sinal: gestos grandes, mas genéricos, como dar chocolates ou flores no dia seguinte que ele “deu o cano” em algum compromisso com você.

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